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João Távora

Um amigo com 90 anos

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A ler este belo ensaio do André Abrantes Amaral sobre oo 90º aniversário de um dos melhores amigos que tive na infância. Sim, também eu descobri os livros do Tintim antes de saber ler num armário do quarto dos meus tios na casa da Avenida e os folheava inebriado, na pele do meu herói. Lembro-me bem com seis anos quando saiu o Voo 714 para Sydney de devorar cada quadradinho, das fúrias do Capitão Haddock com o insuportável Senhor Carreidas, multimilionário dono daquele fascinante avião que antecipava a chegada do Concorde – e como me fascinavam aqueles carros e aviões desenhados por Hergé que pareciam verdadeiros modelos daqueles que se vendiam nas lojas de brinquedos para mim inacessíveis. O facto é que fui descobrindo as diferentes camadas narrativas de cada aventura à medida que fui ganhando habilidade na leitura. Ficámos mesmo amigos, e recordo-me de em pequeno estranhar o facto de Tintim se tratar apenas de uma personagem de ficção, tão vivo que parecia dentro da minha mente. Fui com ele à Lua, às florestas tropicais da Índia ou da América Latina, fui à China, mergulhei entre tubarões, corri pelas galerias de Moulinsart, entrei no Palácio do bondoso rei da Sildávia que enfrentava os revolucionários republicanos, foi na alvura dos Himalaias que mais me emocionei com o verdadeiro sentido da amizade e da nobreza de caracter dos meus heróis na busca do jovem Tchang capturado pelo descomunal Yeti. Como o André fiz questão de introduzir aos meus filhos todo o universo do Hergé, que para lá dos livros, há longos anos acompanha as rotinas da família na forma de um elegante calendário Tintim que a cada mês de Janeiro penduramos na cozinha. Na verdade, acreditem ou não, o Tintim não é apenas um ícone para a minha família, é nosso amigo mesmo - de longa data.